Continuando as postagens sobre a ISO 9001:2015, o próximo tema que vou comentar é:
Abordagem baseada em risco
Este é o segundo tópico citado entre os mais importantes, segundo Sandford Liebesman.
Vamos analisar o que ele diz:
Liebesman :
Sistemas de gestão eficazes podem reduzir os riscos para uma organização. Riscos ocorrem como resultado de incertezas, e os sistemas de gestão eficazes melhoram o controle sobre os fatores que geram incertezas. A ISO 9001 pode desempenhar um papel importante de melhoria com base nos possíveis riscos de uma organização.
Qualiblog:
Pode parecer óbvio para nós da área da Qualidade, mas percebo que boa parte dos empresários não vê dessa forma. Se a norma realmente adotar o conceito de gestão de riscos mais abertamente, isso poderá ser um excelente argumento para que os gestores levem seus SGQ´s a um estágio mais maduro e integrado com a gestão da empresa como um todo.
Liebesman :
A ISO 9001:2008 considera o risco em várias cláusulas que podem ser um ponto de partida para a expansão deste conceito. Vejam:
5.4 – Planejamento da qualidade;
5.6 – Análise da gestão;
7.1 – Planejamento da Realização do Produto;
7.3 – Projeto e Desenvolvimento;
8.5.2 – Ação Corretiva;
8.5.3 – Ação preventiva.
Em cada uma dessas cláusulas, a gerência deve considerar os riscos para a organização e os meios de reduzi-los. O documento do ISO / TC 176 sobre os futuros conceitos apresenta várias considerações para o desenvolvimento de uma abordagem baseada em riscos imagináveis:
Qualquer exigência precisa ser capaz de permitir que organizações de todos os tamanhos e tipos possam determinar a sua própria abordagem.
Qualquer texto adicionado à ISO 9001 deve agregar valor para os usuários.
Deve-se considerar se os requisitos deverão ser explícitos ou implícitos.
Qualiblog:
A precaução do ISO/TC 176 é saudável, pois variam muito os riscos a que está exposto um pequeno negócio ou uma grande multinacional. Obviamente, se a norma adotar critérios específicos ela poderá se tornar inviável para muitas organizações, ou insuficiente para outras tantas.
Acredito que ela provavelmente recomendará a consulta à norma ISO 31000:2009 e a elaboração, por parte da organização certificada, de um modelo de gestão de risco adaptado à sua realidade. Tarefa fácil para alguns, difícil para outros… Recomendo aos gestores que façam já um treinamento sobre essa norma, pois certamente ela será a referência da ISO 9001:2015 nesse tema.
Liebesman :
Uma abordagem baseada em risco deve ser aplicada para as seguintes áreas:
Produtos que garantam o atendimento aos requisitos do cliente, estatutários e regulamentares.
Reforçar a abordagem de processo reduzindo o risco de que um processo possa produzir um resultado indesejado.
Melhorar a eficácia do sistema de gestão para alcançar os objetivos e analisar mudanças no ambiente interno e externo da organização.
Qualiblog:
Ótimo! Um dos pontos falhos que sempre considerei na ISO 9001 é o fato de que ela ignora de certa forma a qualidade do produto, pressupondo que uma gestão sobre NC´s é suficiente. Na prática não é. Licença aos mais puritanos, mas um colega meu comenta que “Se uma empresa produzir merda enlatada ainda assim ela pode ter um certificado ISO 9001. Mas continua a produzir merda!…” – E eu concordo…
Enquanto o SGQ não deixar de ser uma excrescência (palavra feia, essa!) no organograma da empresa, não será capaz de atuar sobre a realidade da organização. Seu envolvimento numa análise mais objetiva do ambiente em que a organização está inserida o capacitará também a mostrar em que suas ferramentas podem ser úteis nas questões relevantes para a empresa.
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Pessoal, ainda temos muito o que analisar sobre a ISO 9001:2015, então essa nossa viagem ao futuro vai continuar rolando aqui no Qualiblog! Em breve falarei sobre outro tema e fica aberto o convite: Quem quiser dissertar sobre qualquer um deles, basta mandar seu artigo para o e-mail do blog que eu publico após aprovação. Participe!






Associar a cada processo, etc, a identificação do risco é fundamental.
Olá Alex!
Correto.
Mas assim como a antiga ISO 9004 era referenciada na ISO 9001 e nunca se tornou uma norma certificável, provavelmente a 31000 também não será.
A adoção de alguns elementos da gestão de riscos fará o SGQ amadurecer e ser encarado com mais seriedade, mas terão o cuidado de não adotar a 31000 integralmente, pois muitas empresas de pequeno porte não conseguiriam atender.
Conheço o PAS 99:2006 e pretendo no futuro abordá-lo também no blog.
Grande abraço!
Ronaldo,
Atualmente a ISO 31000:2009 não é certificavel, correto ?
Com a nova ISO 9001:2015, que, como você cita no texto, “recomendará a consulta à norma ISO 31000:2009″, a ISO 31000 também será certificavel??
Acredito que a integração desses dois sistemas de gestão (qualidade e risco) se tornará obrigatório para o bom desemepnho das organizações. O que você acha ?
Você conhece o PAS 99:2006 que trata sobre os Sistemas Integrados de Gestão ??
Obrigado
ALex